>Reunião de Periódico 26.07

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Na reunião de periódico de 26.07, apresentamos o artigo “Beyond markets and states: polycentric governance of complex economic systems” de Elinor Ostrom, ganhadora do Prêmio Nobel de Economia em 2009. A pesquisadora, cientista política de formação, foi a primeira mulher a conquistar o Prêmio na história, devido à sua contribuição à área de governança econômica, especialmente no que tange ao problema dos recursos comuns. O Prêmio de 2009 foi dividido com Oliver Williamson, também devido à sua contribuição à governança econômica, com ênfase no estudo das relações econômicas que se dão dentro da hierarquia da firma. Juntos, Ostrom e Williamson estão entre os fundadores da subdisciplina que ficou conhecida como a Nova Economia Institucional.

O artigo de Ostrom, que serviu de base para a Nobel Lecture realizada na cerimônia de entrega do Prêmio, resume a jornada intelectual desempenhada pela pesquisadora ao longo de sua vida, bem como os principais desenvolvimentos teóricos que contribuíram para o entendimento de como as pessoas administram recursos comuns. Essa linha de pesquisa veio questionar o resultado inevitável da teoria microeconômica, a “tragédia dos comuns”, onde uma comunidade acaba exaurindo a fonte do recurso devido à ausência de direitos de propriedade bem definidos. O trabalho de Ostrom e seus colegas mostra que a propriedade coletiva de um recurso não implica no eventual esgotamento, já que há vários exemplos de comunidades humanas que manejam seus recursos naturais de forma sustentável ao longo de muitas gerações. Essa linha de pesquisa vai além, e tenta desvendar quais são as instituições que garantem o sucesso do gerenciamento coletivo de recursos comuns.

Muito devota à pesquisa de campo, Ostrom estuda casos reais de sucesso em administração sustentável de recursos, como o caso de sistemas de irrigação comunitários no Nepal e o manejo de florestas em diversos países em desenvolvimento. Ao fim do artigo, Ostrom enumera um conjunto de melhores práticas, presentes nas instituições que sobreviveram o passar das gerações, e ressalta a necessidade de uma teoria mais geral do comportamento humano, que não aquela restrita a indivíduos racionais e auto-interessados, maximizadores da utilidade individual. As implicações de seus trabalhos têm implicações globais, como o aproveitamento das lições de pequenas comunidades para o gerenciamento de recursos globais, como a biodiversidade e a fauna marítima.


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