Reunião de Periódico 05.04.11

Na última reunião de periódico foi apresentado o artigo “The Colonial Origins of Comparative Development: An Empirical Investigation” (2001), no qual os autores, Acemoglu, Johnson e Robinson realizam uma análise empírica sobre as causas da grande diferença em renda per capita existentes entre os países, destacando o papel central das instituições.

Esse não é o primeiro estudo que tenta trazer as instituições ao centro do problema do desenvolvimento, porém é o primeiro que consegue tratar de forma razoavelmente satisfatória o problema de endogeneidade existente na relação entre renda e instituições: melhores instituições explicam melhores condições de renda, ou melhores condições de renda explicam a existência de melhores instituições?

Utilizando uma variável instrumental bastante peculiar, a taxa de mortalidade por febre amarela e malária enfrentadas (e esperadas) pelos primeiros grupos de colonos nas novas terras, os autores constroem uma cadeia causal que consegue relacionar as taxas de mortalidade à possibilidade efetiva de assentamento, esta por sua vez seria um importante fator explicativo do tipo de colonização adotado (extração ou povoamento) e suas instituições correspondentes .

A última relação causal da teoria desenvolvida refere-se à persistência das instituições coloniais mesmo após a independência, isto é, trata da similaridade existente entre as primeiras instituições coloniais e as atuais, alguns séculos mais tarde. Essa persistência institucional é conhecida na literatura especializada pela expressão “path dependence” .

Alguns resultados muito interessantes surgem ao utilizar essa abordagem. Dentre eles, pode-se destacar a não importância de variáveis continentais e dummies sobre o tipo de colonizador ou sobre a origem da estrutura jurídica, uma vez que a variável que “mensura” a qualidade das instituições atuais é controlada. Em outras palavras, quando o efeito altamente significativo das  instituições sobre a renda é levado em consideração, diferenças meramente relativas às características geográficas, culturais, ambientais ou mesmo referentes à região de origem do colonizador não conseguem explicar satisfatoriamente os desníveis de renda entre países africanos e os Estados Unidos, por exemplo.

Ao longo de toda a exposição, diversos questionamentos foram levantados tanto sobre a validade e veracidade do método e das variáveis utilizadas, quanto à contribuição desse tipo de pesquisa ao aprimoramento de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico. Ao final da apresentação, uma interessante comparação foi feita pela tutora do PET-ECO entre este artigo e o publicado por Solow em 1956: Acemoglu et al. demonstraram a grande importância das instituições para a explicação das diferenças de renda per capita entre os países, entretanto, assim como o progresso tecnológico de Solow, as diferenças institucionais permanecem “caixas-pretas” que não sabemos como efetivamente tratar e explicar.

Yuri C. Lopes

The Colonial Origins of Comparative Development (Acemoglu, Johnson, Robinson) – Yuri Lopes

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