Does Studying Economics Inhibit Cooperation?

Na reunião desta segunda-feira, dia 24/06, foi apresentado o artigo “Does Studying Economics Inhibit Cooperation?”, publicado no Journal of Economics Perspectives pelos autores R. Frank, T. Gilovich e D. Reagan. Os autores buscaram combinar uma extensa revisão de literatura, com experimentos empíricos e uma pequena análise econométrica para tentar descobrir se o treinamento em economia nos torna mais egoístas.

Antes de inicar a discussão do artigo, cabe um pequeno apontamento que surgiu durante o debate. Qualquer comportamento pode ser considerado individualista. Mesmo em casos extremos, onde parece evidente que a pessoa realiza um sacrifício individual para propiciar algum benefício alheio, podemos interpretar que a sua satisfação em realizá-lo excede o seu sacrifício. Dessa forma, é possível interpretar, por exemplo, o trabalho voluntário como uma atitude puramente individualista, caso consideremos que a satisfação pessoal de ajudar as pessoas exceda o custo do trabalho. Assim sendo, a análise do artigo pode ser melhor apreendida se considerarmos que o “egoísmo” tratado está sendo analisado em sua forma mais imediata e não como o conceito universal e maleável apresentado acima.

O artigo propriamente dito é dividido em duas partes: a primeira busca comprovar que os economistas agem de forma diferente e a segunda que eles assim o agem por causa do treinamento em economia. Na primeira parte do artigo, predominam uma série de jogos que envolvem divisões de dinheiro ou conflitos clássicos, como o dilema do prisioneiro.
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Os resultados estatísticos são bastante claros e tendem a confirmar a hipótese, mas abrem margem para vários questionamentos. Os resultados foram controlados para gênero e idade, muito significativos, mas as diferenças de classes, por exemplo, foram deixadas de lado.

Além da aparente defasagem no controle de variáveis, pode-se argumentar que as formas de transposição da realidade para o jogo não são totalmente legítimas. Esta crítica encontra certo embasamento no próprio artigo, uma vez que os jogos em que se permitiram um maior contato entre os participantes, aproximando-se mais das relações sociais efetivamente observadas, mostraram um resultado significativamente diferente  dos que não permitiram. Apesar de enfraquecer as indicações do artigo, a crítica certamente não as invalida. Isto pode ser provado pelo experimento realizado pelos autores que envolvia o número de doações para caridade (e, portanto, sem conexão com os jogos) que também mostrou de forma contundente a tendência dos economistas de se mostrarem, imediatamente, mais egoístas ou pelas suas respostas a um questionário que indicaram que os economistas tendem a se preocupar menos com a ideia de justiça na hora de tomar decisões.

Na segunda parte do artigo, é apresentado um experimento que envolvia o preenchimento de um questionário com dois dilemas éticos, apresentado à duas turmas de microeconomia (sendo que em uma delas, o professor promoveria uma “militância anti-cooperativa”, como descrevem os autores) e uma turma controle, a serem respondidos no começo e no final de um semestre letivo. Os resultados mostraram que as duas turmas de microeconomia responderam o questionário final de forma “muito menos honesta” que a turma controle e que, em ambos os dilemas, a turma que teve um tratamento mais intenso de questões éticas do ponto de vista da individualidade também apresentou resultados “menos honestos” que a outra.

Em sua conclusão, os autores retomam os resultados, que deixaram bastante claro que os economistas agem de forma mais egoísta e que o treinamento em economia tem um papel significativo nesse processo, mesmo que os níveis absolutos em que isso ocorre não pudessem ser bem precisados. Além disso, os autores trazem uma outra importante pergunta: “Deveríamos nos preocupar?” Apesar do trabalho teórico contido no artigo ser fundamentalmente inexistente, algumas indicações empíricas trazem respostas bastante profundas. Respondendo à última questão, alguns (economistas, em geral) argumentam que a questão da individualidade não é um problema, mas um reflexo de uma observação mais ampla ou profunda da realidade. Entretanto, mesmo em casos que apresentam rendimentos crescentes (em que se apresenta um trade-off exclusivo entre benefício pessoal e social), os economistas foram muito mais individualistas que os não-economistas, o que indicaria que tal observação não é válida.

O artigo, além dos resultados empíricos, serve para questionar como as ciências econômicas se desenvolveram historicamente e que papel tem hoje sua construção e divulgação, na sociedade.

Apresentador: Carlos Alberto Belchior

Does Studying Economics Inhibit Cooperation? – Carlos Alberto Belchior

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