Structural change and the BOP-constraint: why did Latin America fail to converge?

A ideia de que no longo prazo o crescimento econômico é limitado pela emergência de desequilíbrios comerciais tem forte tradição na América Latina. Os trabalhos da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e especialmente do economista argentino Raúl Prebisch já apontavam o baixo dinamismo do setor exportador e a elevada propensão a importar como principal limitante do crescimento nas economias periféricas.

A literatura pós-keynesiana, por sua vez, desenvolveu uma série de modelos de crescimento demand-side dentre os quais se sobressaem os chamados balance of payments constrained, notadamente representados pela lei de Thirlwall. Sua proposição central está em que, para a maioria dos países, a principal restrição à taxa de crescimento do produto está no balanço de pagamentos porque ele determina o limite do crescimento da demanda a que a oferta pode se adaptar.

Na reunião de periódico desta segunda feira, 14.10.2013, foi apresentado o artigo intitulado “Structural change and the BOP-constraint: why did Latin America fail to converge?” de autoria dos professores Cimoli, Porcile e Rivera. O trabalho utiliza uma abordagem centrada nos modelos de crescimento com restrição no balanço de pagamentos para explicar as diferenças no padrão de crescimento do sudeste asiático e da América Latina. O sudeste asiático figura como um caso bem sucedido de superação do subdesenvolvimento a partir da promoção de exportações de elevado valor agregado e intensidade tecnológica, ou em termos bastante simples, exportações industriais. A América Latina por sua vez empreendeu um insustentável processo de substituição de importações que não foi suficiente para alcançar as economias centrais.

Mostra-se que divergências nos padrões de crescimento entre ambas as regiões podem ser explicadas de forma satisfatória pelas diferenças na evolução da elasticidade das importações, crescimento das exportações e sua especialização tecnológica. Economias industrializadas crescerão potencialmente acima do restante do mundo na medida em que a elasticidade de suas exportações é superior à de suas importações. Por outro lado espera-se o efeito contrário em economias primário-exportadoras. Em termos de mudança estrutural, a transferência de trabalhadores do setor primário para o industrial contribui positivamente para o crescimento via mudança na composição das elasticidades do comércio exterior. Mais ainda, mostra-se que a política econômica tem papel fundamental na trajetória de crescimento das economias na medida em que o componente de path-dependence é relevante. Uma excelente leitura para quem se interessa em crescimento econômico.

Apresentador: Marwil Dávila

Structural change, BOPC and economic growth: why did Latin America fail to converge – Marwil Dávila

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