O monetarismo petista: Uma análise da economia brasileira com enfoque na política monetária

O fraco desempenho da atividade econômica no últimos três anos e a falta de melhores perspectivas para os próximos anos têm acirrado os ânimos no debate em torno dos fatores que explicariam a fragilidade do crescimento brasileiro. Depois de apresentar taxas de crescimento satisfatórias durante a primeira década do século XXI, ainda não há uma resposta consensual para a forte desaceleração brasileira.

 

A reunião de Conjuntura desta sexta-feira, dia 18 de outubro, procurou contrapor o posicionamento de duas das principais escolas do pensamento econômico, a saber: a escola mainstream e a pós-keynesiana. A ênfase da apresentação esteve em um tópico que ainda não havia recebido a devida atenção das discussões no PET-Economia: a política monetária. A contraposição gira essencialmente em torno da aceitação ou não da neutralidade da moeda e do fluxo circular da renda.

No Brasil, notamos que ao longo do tempo as políticas econômicas mudaram seu caráter teórico e, nos últimos 10 anos, isso não foi diferente. O interessante é que, ao contrário de outros tempos, não nota-se uma fragmentação política que forçasse a mudança da mentalidade. Por um lado, temos um “Lula ortodoxo” dando continuidade ao tripé econômico formulado outrora, enquanto, recentemente, vê-se uma “Dilma desenvolvimentista”, conforme defendido por Bresser-Pereira, com viés heterodoxo. A apresentação buscou ressaltar as diferenças entre tais diferentes modos de vista e os reflexos que eles podem acarretar no andamento da economia brasileira.

Os primeiros debates sobre as causas da inflação datam-se de 1570 na França, sendo que esse marcaram apenas o início de um poderoso ramo macroeconômico. Pelo lado ortodoxo, fez-se uma evolução histórica da Teoria Quantitativa da Moeda (TQM), passando por suas principais versões e atualizações ao longo do tempo, destacando a versão de trocas de Fischer, a teoria de demanda por saldos reais de Marshall, o ressurgimento neoclássico de Friedman e a TQM moderna de Baumol-Tobin. Por outro lado, temos Keynes e sua preferência pela liquidez como referencial heterodoxo.

De acordo com o dilema da Trindade Impossível de Krugman, não é possível para uma economia integrada à economia mundial escolher ter ao mesmo tempo taxa de câmbio fixa, independência de política monetária e mobilidade perfeita de capitais. Dessa forma um governante terá de escolher duas dessas alternativas abrindo mão da terceira. O Brasil optou por garantir a independência da política monetária, utilizando a taxa básica de juros como instrumento de controle da inflação, e manter um fluxo relativamente livre de capitais. Como consequência, o regime cambial passou a ser flutuante. A atual política econômica assume que no longo prazo a moeda é neutra e desse modo uma política monetária restritiva no curto prazo não altera a trajetória de crescimento da economia. Seria valido esse suposto? O debate continua em aberto…

Apresentadores: Marwil Dávila e Thiago Nascimento

O monetarismo petista: Uma análise da economia brasileira com enfoque na política monetária – Marwil Dávila e Thiago Nascimento

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