Homenagem ao Ronald Coase

Na sexta-feira, dia 08 de novembro de 2013, a Professora Andrea Cabello (ECO) fez uma apresentação em homenagem ao célebre economista Ronald Coase intitulada “O Embate entre a Teoria Econômica e as Instituições”. Ronald Harry Coase, nascido em 29 de dezembro de 1910 faleceu este ano — no dia 02 de setembro de 2013 — aos 102 anos. As suas contribuições às Ciências Econômicas o levaram a receber o Prêmio Nobel deEconomia no ano de 1991.

Ronald Coase

Coase se descrevia como um economista “acidental”. Ele passou a maior parte da sua carreira como professor emérito, ocupando a cadeira de Clifton R. Musser, da University of Chicago Law School. Os seus principais trabalhos foram The Nature of the Firm (Economica, 1937) e The Problem of Social Cost (Journal of Law and Economics, 1960). Esses trabalhos são artigos breves e simples mas, simultaneamente, extremamente importantes.

Em seu primeiro artigo de destaque,  The Nature of the Firm, Coase buscava entender porque companhias existem, revolucionando, assim, o entendimento dos economistas a respeito das razões pelas quais indivíduos criam firmas e o que determina o seu tamanho e escopo. Ele introduz o conceito de custo de transação – o custo que cada parte incorre no processo de venda e compra de bens e serviços. Em essência, o motivo por qual as companhias emergem no mercado de trocas é justamente a existência de tal custo em todas as transações. À data de sua publicação e por várias décadas depois, o artigo não chamou muita atenção.

Já na sua segunda grande contribuição – The Problem of Social Cost – Coase tratou, principalmente, de externalidades – efeitos colaterais ou conseqüências de alguma atividade industrial ou comercial que afeta outras partes sem que isso se reflita sob os preços dos bens ou serviços envolvidos. Ele trata, especificamente, do caso da empresa que ao produzir necessariamente polui. Já que nada custa a uma empresa poluir, a mesma irá produzir maximizando o seu beneficio líquido e, como conseqüência, emitindo poluição – note-se a externalidade – a um nível elevado, levando a um desequilíbrio entre beneficio marginal e dano marginal. É necessário, pois, determinar a poluição eficiente – o nível de poluição que maximiza o beneficio social líquido da poluição. Será a partir do nível de poluição eficiente que se poderá determinar uma taxa para que a empresa internalize os custos, já que, como ressalta Anthony C. Fischer (em Resources and Environmental Economics, 1981), “a fumaça [ou poluição] gerada pela atividade de todos os produtores se constitui em uma externalidade que entra na função utilidade de todos os consumidores.” Nesse sentido, Coase sugere, porém, que se não houvesse o custo de transação poderia se chegar a um resultado eficiente sem a intervenção do governo. Tomando o custo de transação, novamente, como ponto de partida, Coase revolucionou a ideia de direitos de propriedade e o papel da regulação na economia. Como há, de fato, um custo de transação, os governos deveriam regular externalidades – como a poluição – não por ser certo ou errado mas sim porque (1) os custos de indivíduos chegarem a acordos com as companhias seriam demasiado elevados e (2) as externalidades afetam partes da economia onde os direitos de propriedade não foram formalmente definidos. Dessa ideia, também, surge o Teorema de Coase, que foi desenvolvido por George Stigler.

Através da atenção gerada pelo seu segundo artigo, The Problem of Social Cost, Coase foi reconhecido, também, pela sua contribuição prévia, a saber o seu primeiro artigo. Além, disso, foi chamado para fazer parte do corpo docente da University of Chicago. Como, modestamente, disse o próprio Coase: “não fiz nenhuma inovação na teoria elevada. A minha contribuição à Economia tem sido exortar a inclusão… de características do sistema econômico tão óbvias que… têm frequentemente sido deixadas de lado.”

Ronald Coase – O Embate entre a Teoria Econômica e as Instituições

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