Sympathy and callousness: The impact of deliberative thought on donations to identifiable and statistical victims

Na reunião de periódico do dia 31 de março, foi apresentado o artigo “Sympathy and callousness: The impact of deliberative thought on donations to identifiable and statistical victims”. O artigo, publicado em Organizational Behavior and Human Decision Processes, é da autoria de Deborah A. Small, George Loewenstein e Paul Slovic.

Como de praxe, inicialmente foi exposto um breve resumo da educação, trajetória acadêmica e das linhas de pesquisa dos autores. Em seguida, foram explicitados alguns exemplos de vítimas identificáveis. Um destes exemplos foi o do caso da “Baby Jessica”: Depois de ter caído em um poço perto da sua casa no Texas, EUA, Jessica McClure Morales (nascida no dia 26 de março de 1986) recebeu mais de $700.000 em doações. Entre os dias 14 e 16 de outubro de 1987, os indivíduos envolvidos no resgate da “Baby Jessica” trabalharam por mais de 58 horas para tirar a bebê de 18 meses de um poço que tinha 20 cm de largura e 20 m de profundidade. O caso recebeu atenção mundial da mídia e, em 1989, virou o assunto de um filme. Uma parte vital do resgate foi a implementação da tecnologia, relativamente nova na época, de corte de jato de água. Como pode-se ver, neste caso, uma única vítima ganhou uma quantia considerável de doações. Ou seja, quando uma vítima é transformada numa causa, as pessoas parecem ser mais compassivas e generosas.  Caso contrário, as pessoas parecem ser mais egoístas e insensíveis. De fato, do ponto de vista econômico e do bem-estar social, a concentração de grandes quantias de dinheiro em uma única vítima é ineficiente. Deste modo, os autores seguem a expor o “efeito da vítima identificável” (que é contrário ao efeito das vítimas estatísticas).

Ao longo do trabalho, os autores tentam responder duas perguntas centrais:

  1. Pode-se ensinar, aos indivíduos, a valorar a vida de maneira consistente?
  2. Na medida em que “des-viesar” o efeito da vítima identificável leva a um tratamento mais consistente das vítimas estatísticas e identificáveis, será que a generosidade voltada às vítimas estatísticas vai aumentar ou a generosidade voltada às vítimas identificáveis vai diminuir?

Os autores fazem duas hipóteses:

  1. O pensamento analítico a respeito do valor de vidas deveria reduzir as doações para uma vítima identificável.
  2. O pensamento analítico a respeito do valor de vidas não deveria ter um efeito sobre vítimas estatísticas.

Todas as pesquisas tentaram manipular o nível de pensamento analítico envolvido na tomada de decisões referente à doação para vítimas estatísticas e identificáveis. Em seguida, no cerne do artigo, os autores expõem quatro pesquisas, que foram conduzidas em uma Universidade na Pennsylvania, EUA. A primeira pesquisa examina o impacto de explicitamente informar os indivíduos sobre o efeito da vítima identificável. A segunda exclui uma explicação potencial artifactual para os resultados obtidos na Pesquisa 1. A terceira tenta ensinar a mesma lição da Pesquisa 1 em vez de explicita-la. Por último, a quarta pesquisa examina como a introdução das formas de pensamento calculista versus afetiva influencia a tomada de decisões referente às doações para ambos os objetos (vítimas estatísticas e identificáveis).

Em conclusão, os resultados demonstram que a simpatia para vítimas identificáveis diminui com o pensamento deliberativo, mas continua relativamente baixo para vítimas estatísticas. Esse resultado se mantém igual mesmo com intervenções de “des-viesamento” explicito, o fornecimento de estatísticas e a instrução de pensar de maneira analítica. Esses resultados sustentam a noção mais geral de que certos estímulos evocam mais afeição do que outros e que deliberação cognitiva pode enfraquecer os resultados que tipicamente ocorrem quando as escolhas são feitas de maneira afetiva. Nesse caso, incentivar as pessoas a pensar sobre as suas escolhas teve um efeito desfavorável sobre o bem-estar social.

Por fim, foram expostos questionamentos e dúvidas referentes ao presente artigo. Uma das principais críticas ao artigo, foi o fato de que o espaço amostral (Ω) era relativamente limitado e isso pode ter resultado em resultados viesados.

Apresentado por: Carolina Vale Rosa

Sympathy and callousness – Carolina Vale Rosa

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