Reuniões

Long-Run Effects of Democracy on income Inequality in Latin America

A democracia impacta o nível de desigualdade de um país? Dentro desse contexto, as transições entre regimes autoritários e democráticos, na América Latina, influenciaram o nível de desigualdade?

Carlos Balcázar procura responder tais perguntas no seu artigo fazendo uso de uma minuciosa análise, onde ele procura estabelecer por quais mecanismos uma “maior exposição à democracia” pode diminuir a desigualdade de um país.

Se tiverem a oportunidade, a leitura do artigo é extremamente enriquecedora.

 

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Reunião de Literatura – 1.2017

Ignite

SAVE THE DATE!

O PET – Economia convida à todos para participarem do debate acerca do livro “Como Matar a Borboleta-Azul – Uma Crônica da era Dilma” escrito pela economista Monica de Bolle, doutora pela London School of Economics and Political Science e professora da Universidade Johns Hopkins nos Estados Unidos.

A leitura do livro é uma excelente oportunidade para entender o complexo cenário atual da economia brasileira. Monica de Bolle escreve em uma linguagem bastante acessível, permitindo que pessoas que não estejam familiarizadas com o tema consigam entender as origens da crise econômica.

O PET – Economia promoverá um debate a respeito dessa análise no dia 17 de maio, sendo uma ótima oportunidade para que todos os envolvidos aprendam um pouco sobre as principais políticas governamentais que, segundo a autora, colocaram o Brasil nas condições atuais. Ainda, serão expostas críticas e considerações a respeito desse renomado livro através de uma discussão enriquecedora.

O ROTEIRO DE ESTUDOS PODE SER ACESSADO AQUI.

Contamos com a sua presença!

Regime de Metas de Inflação: análise comparativa e evidências empíricas para países emergentes selecionados

Apresentado em 20 de março de 2017 por Matheus Biângulo.

Em meio a um período desastroso da economia brasileira, o Plano Real (1994) introduziu reformas institucionais que lograram de sucesso na estabilização da inflação. Temeroso quanto à volta do “fantasma da inflação”, prontamente o governo estabelece âncoras nominais que se mostraram insustentáveis frente aos ataques especulativos sofridos pelo Real.

Como resultado, na virada do século o Regime de Metas de Inflação (RMI) é adotado como parte de um regime macroeconômico maior: o tripé macroeconômico. Seria o RMI brasileiro eficaz em combater a inflação? Quais são os custos, em termos de crescimento, de operacionalização dessa estratégia de política monetária? O RMI brasileiro deveria ser flexibilizado?

Essas e outras questões são levantadas quando analisamos o RMI brasileiro à luz das experiências de outros países emergentes selecionados.

Slide da apresentação disponível aqui.

Artigo disponível aqui.

Economists Free Ride, Does Anyone Else?

No dia 17 de agosto de 2016, a petiana Raphaela Fonseca Alves apresentou o o artigo “Economists Free Ride, Does Anyone Else?” escrito por Gerald Marwell e Ruth E. Ames.

O artigo consiste numa análise empírica do “Problema do Carona” com doze experimentos testando as hipóteses fraca e forte do problema, nas quais, ou a provisão de bens públicos seria subótima ou, praticamente, não haveria provisão de bens públicos fornecidos de forma voluntária.

Apesar de os experimentos visarem maximizar o “free-riding”, ou seja, o problema do carona, os resultados foram que as pessoas contribuem voluntariamente, em média, entre 40% e 60%, com exceção dos alunos de economia, que contribuem 20% e, são mais propensos a serem caronas.divulgacao

 

PDF da Apresentação

A Economia de Game of Thrones

As Crônicas de Gelo e Fogo, série de livros escritos por George R. R. Martin , se popularizou a ponto de ganhar uma série exclusiva na HBO. A série, por sua vez, tornou-se uma das mais vistas de todos os tempos. Um enredo pra lá de complexo, marcado por conflitos militares e políticos incessantes, choques de realidade, cenas fortes e ficção foram fatores decisivos para a sua popularização. Na verdade, o que pessoalmente me chamou muito a atenção em Game of Thrones (GoT), foi o fato de que George soube realizar uma mistura impecável de elementos que marcam a nossa realidade com o seu mundo fantasioso. O resultado disso são conflitos políticos tensos traduzidos em diálogos elaborados. Entretanto, George não focou apenas nos conflitos militares e políticos da série. Um outro lado, que muitas pessoas deixam de prestar a atenção, são os conceitos econômicos que permeiam o mundo de GoT, que será assunto desse texto em questão. Antes de prosseguir, gostaria de informar que esse texto terá spoilers, então se você ainda não assistiu a sexta temporada, evite o texto, para o seu próprio bem. Todas as informações expressas abaixo têm como base os livros, a série e diversos links de blogs, sites, artigos e vídeos que estão expressos nas referências.

Moedas

Para começarmos a análise econômica do “Mundo Conhecido” (assim que os fãs chamam o mundo de GoT), começaremos com um dos elementos mais básicos, mas de gigantesca importância na economia de qualquer país: a moeda. Diferentemente da nossa realidade, o mundo de GoT não possui nenhuma nação explicitamente conhecida por utilizar cédulas de papel como dinheiro. Na verdade, a maioria das nações utilizam algo chamado “moeda commodity”. E o que seria isso? Isto é, o valor da moeda depende intrinsecamente do material do qual ela é composto.Assim, uma moeda de ouro vale mais que uma moeda de prata que vale mais que uma de cobre e assim sucessivamente. Quanto mais valioso for o material que compõe a moeda, mais valiosa ela será. Westeros é um continente que usa esse tipo de moeda. A moeda por eles utilizada é denominada “Gold Dragon Coin“. Dela, surgem outras duas subdenominações, a “Silver Stag” e a “Copper Penny“, sendo que cada uma representa, respectivamente, o ouro, a prata e o cobre. A Baía dos Escravos por sua vez, como era de se esperar, utilizam os escravos como uma forma de intercâmbio de produtos. É comum a compra de determinado artigo ou produto utilizando escravos como forma de pagamento. Além disso, eles possuem uma moeda própria denominada “Gold Honor“. Outras cidades em Essos, como Volantis e Qarth utilizam diferentes variantes dessa Gold Honor. Para ficar mais fácil visualizar, peguemos um exemplo da nossa realidade. Existe o dólar estadounidense e o dólar canadense. Ambos são dólares, mas com valores diferentes, de modo que um seria uma variante do outro. É o mesmo caso para as moedas “Honor” utilizada por Voltantis, Qarth e a Baía dos Escravos. Mas um local em específico foge dessa lógica dominante no mundo de GoT, esse lugar é nada mais nada menos do que a Cidade Livre de Braavos. Eles utilizam um tipo de moeda cujo nome é desconhecido, mas que possui um formato quadrado e é feita de ferro. Estranho, se as moedas dependem do material que as compõe, mas a moeda de Braavos é feita de ferro e o fato do ferro não ser um material valioso como o ouro ou a prata, isso faz com que a moeda de Braavos não tenha valor? Na verdade não. Ao que tudo indica, a população de Braavos utiliza essa moeda como uma espécie de moeda fiduciária (para aqueles que não sabem, uma moeda fiduciária é aquela que não é lastreada a nenhum material. Sendo assim, o valor que elas possuem advém da confiança que as pessoas tem na entidade que emitiu a moeda, ou seja, o banco de Braavos! Nesse sentido, a realidade da população de Braavos se aproxima muito mais da nossa do que da realidade do resto de GoT).

Ao falar de moedas, somos levados, obrigatoriamente, a falar das instituições financeiras que permeiam o Mundo Conhecido. Por mais interessante que possa parecer, Westeros não possui nenhuma instituição financeira, ou seja, nenhuma das grandes cidades das grandes famílias possuem bancos. Isso pode ser observado na série quando a Coroa constantemente fala sobre sua dívida com o Banco de Ferro de Braavos. Isso mostra que, quando precisam de empréstimos, os grandes Lordes e até mesmo a Coroa pedem emprestado para um Banco que fica em outro continente! Já o continente de Essos, em contraste ao continente de Westeros, possui nove diferentes bancos conhecidos, sendo que cada um deles se localiza em uma das Cidades Livres de Essos (Braavos, Lorath, Norvos, Pentos, Qohor, Myr, Tyrosh, Lys e Volantis). Entretanto, o Banco de Ferro de Braavos não é somente o mais conhecido, como também o mais poderoso dos nove bancos. O livro afirma que o Banco de Ferro de Braavos é mais poderoso do que os outros oito bancos unidos!

Ciclos Econômicos

Depois de falarmos das moeda, podemos abordar  um fenômeno econômico bastante conhecido e que se relaciona diretamente com o valor da moeda, a inflação. De forma bem simplista, a inflação se refere à perda de poder de compra dentro de uma economia causada pelo aumento generalizado de preços. Sendo assim, podemos observar ciclos na nossa economia que são caracterizados por inflações baixas e outros ciclos marcados por alta inflação. Basicamente, um ciclo econômico é representado por uma flutuação na atividade econômica. Sendo assim, se pegarmos uma tendência de longo-prazo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), por exemplo, podemos perceber desvios transitórios dessa tendência, ou seja, momentos em que ele cresce e outros em que ele diminui. Isso é o que chamamos de ciclos de negócios ou ciclos econômicos. Na nossa realidade, há diversos fatores o que causam os ciclos, como os choques climáticos, choques de demanda, políticas governamentais, entre outros. Já no mundo em Westeros, os ciclos econômicos são determinados por uma variável especificamente: os choques climáticos. Isso fica bem óbvio quando observamos a principal atividade econômica de Westeros: a agricultura. O continente de Westeros é marcado por não ter uma cultura muito “urbana”, possuindo apenas cinco grandes cidades no continente (King’s Landing e Oldtown com meio milhão de pessoas, Lannisport com aproximadamente 250 mil pessoas, Gulltown e White Harbour com uma população entre 10-20 mil pessoas). Dito isso, podemos perceber que as economias de cada cidade são relativamente fechadas, no sentido de haver poucas trocas entre as cidades. O comércio existe, mas está longe, muito longe de ser uma atividade econômica extremamente relevante. Nesse sentido, os preços das cidades dependem drasticamente de como a agricultura se encontra. A agricultura, por sua vez, depende drasticamente da estação climática na qual Westeros se encontra.

De modo bem peculiar, as estações do ano em Westeros são bastante duradouras, com uma duração média entre dois e três anos para cada estação, com exceção de casos excepcionais como o momento atual da série, onde o verão já dura mais de 10 anos! Isso afeta ainda mais a agricultura, tendo em vista que ela estará sujeita à condições favoráveis ou desfavoráveis por alguns anos e não meses que nem no nosso caso. Desse modo, no inverno, a agricultura é muito afetada pelas condições climáticas. Há, naturalmente, uma redução na oferta de alimentos, o que causa uma elevação nos seus preços. Como os salários das pessoas que trabalham no campo não variam no início do inverno, ocorre um processo inflacionário (os alimentos estão mais caros enquanto os salários estão estagnados), o que leva a uma perda de poder de compra nas cidades. Após o inverno, chega a primavera. Muitas pessoas morreram nas frias geadas do inverno (lembrem que estamos falando de condições quase medievais e de invernos de três anos, é de se esperar que a taxa de mortalidade aumente no inverno). Como o trabalho se tornou mais escasso (menos gente trabalhando, pois muitas morreram), o salário tende a estar elevado no início da primavera. Ainda, a produção de alimentos volta a se estabilizar paulatinamente, gerando um aumento do poder de compra da população ao longo da primavera, já que o preço dos alimentos volta a cair. Vem então o verão, nele o número de pessoas trabalhando se estabiliza enquanto a produção de alimentos atinge seu ápice, podendo haver excessos de oferta de alimentos, levando à queda dos seus preços. Como há salário estabilizados, mas uma queda no preço dos alimentos, o poder de compra da população atinge seu ponto máximo durante o verão. Chega, por fim, o outono. A população se mantém constante, mas a produção volta a desacelerar, gerando escassez de alimentos e o aumento dos seus preços. Novamente, a população sofre de um processo inflacionário perdendo poder de compra. Acaba o verão e vem o inverno, iniciando um novo ciclo no mundo de GoT. Essa lógica é explicitada na série quando Tyrion, como Mestre da Moeda, observa que um cavalo, a cerca de 90 anos, custava 3 moedas de ouro. Nesse período, a estação era a primavera, em seu início, logo após um extenso inverno. É de se esperar que a população estivesse vivenciando um período marcado pelo baixo poder de compra. Isso se confirma quando Jaime e Brienne estão a caminho de King’s Landing, pois Jaime compra um cavalo por uma moeda de ouro, três vezes menos do que a 90 anos atrás! Na série, estamos vivenciando um duradouro verão, estação marcada pelo ápice do poder de compra da população, o que justificaria o cavalo ser um terço do valor que era. São pequenos detalhes, de fato, mas que se olharmos a teoria econômica fazem todo sentido!

A Dívida da Coroa e os Lannisters

Já demos uma abordada nos fatores econômicos básicos que permeiam o Mundo Conhecido. Podemos, agora, adentrar e analisar fatos específicos e, na minha opinião, mais interessantes. Um desses fatos, que é um prato cheio para qualquer pessoa que se interessa por Economia e Ciência Política é a dívida da coroa. Conflitos políticos permeiam essa questão ao longo de toda série. As origens de tais conflitos estão na Economia. Atualmente, a série e o livro afirmam que a Coroa possui uma dívida de 6 milhões de moedas de ouro (imagine, um cavalo custa 1 moeda de ouro, a dívida da coroa é de 6 milhões de moedas de ouro, isso é muito dinheiro!). Desses 6 milhões, segundo o livro, 3 milhões foram empréstimos dos Lannisters, 2 milhões foram empréstimos com o Banco de Ferro de Braavos e 1 milhão com a Fé dos Sete. O interessante aqui, novamente fazendo um paralelo com a nossa história, é que, aparentemente, não há nenhuma religião ou cultura dentro da série que proíba ou condene a usura, fato que era evidenciado durante a Idade Média pela igreja católica e pelo islamismo que condenavam a usura como um pecado.

Voltando à Coroa, a dívida com a Fé dos Sete foi perdoada com a condição de que eles pudessem restabelecer a Fé Militante (depois isso se provou um erro). A maior parte da dívida era com os Lannisters, mas como eles estavam intrinsecamente relacionados com a Coroa (Twyin como Mão do Rei e Cersei como Rainha Regente), essa não era a parte mais preocupante. A preocupação, de fato, era com o Banco de Ferro de Braavos, cujo lema é “O Banco de Ferro receberá o que lhe é devido“, o que serve como um aviso para qualquer um que pretenda não honrar suas dívidas. Esses 2 milhões, em específico, causaram uma dor de cabeça especial para os Lannisters, fazendo com que a Cersei pedisse ao seu pai para que mais ouro fosse minerado na terra dos Lannisters, de modo a solucionar a dívida. Nesse caso, a série adotou uma medida totalmente simplista, pois Twyin responde que não há mais ouro já que as minas haviam se esgotado. Já George R. R. Martin realizou o dever de casa e, aplicando conceitos econômicos, esse diálogo é construído de maneira diferente no livro. No quarto livro da série “Um Festim de Corvos”, um Lorde vai até Twyin e realiza a mesma proposta de Cersei, a de minerar mais ouro, pois o rei da época, Aerys Targeryan, precisava de mais dinheiro. Twyin responde que não pode forjar mais ouro, pois isso levaria a uma hiperinflação.  Será que, economicamente falando, Twyin estava certo? A resposta é sim. Como os Lannisters possuem quase que um monopólio da mineração de ouro em Westeros, caso eles despejassem todo o ouro no mercado de uma só vez, com o objetivo de quitar a dívida, o valor da moeda de Westeros cairia significantemente. Um aumento significativo na quantidade de ouro circulando na economia levaria a uma queda no valor do ouro. Ainda, como a moeda é lastreada no ouro e agora esse ouro vale menos, a moeda perde o seu valor e, consequentemente, o seu poder de compra. É desse processo inflacionário que Twyin estava falando. Inclusive, na nossa história, há um capítulo bem semelhante a esse. Esse episódio é chamado de Revolução dos Preços Espanhóis. A partir de 1500, o império espanhol colonizou diversas regiões nas Américas, o chamado “Novo Mundo”. Eles logo encontraram uma gigantesca quantidade de ouro e o importaram para a metrópole. Ao chegar, esse ouro e prata que eles roubaram dos povos latino-americanos foram despejados de uma só vez no mercado europeu. Havia, agora, uma quantidade de ouro muito superior ao que tinha anteriormente, tornando-o muito menos raro. Isso fez o preço do ouro despencar, causando um efeito inflacionário que foi repassado da Espanha para toda Europa. É justamente desse efeito a que Twyin se refere e que foi muito bem observado por George.

Mas essa gigantesca dívida, de onde ela surgiu? Tyrion, enquanto Mão do Rei, percebeu que alguma coisa na conta da Coroa estava errada. Vários fatores implicavam na impossibilidade de tamanha dívida. Primeiro, quando Robert Baratheon tomou o poder de Aerys Targeryan, o Rei Louco, ele descobriu que a Coroa estava lotada de dinheiro. Ainda, a série se passa em um verão extremamente excêntrico, que dura mais de dez anos. Como dito anteriormente, o verão tende a ser a época em que a economia de Westeros atinge seu ápice de prosperidade. Então fica a pergunta, de onde veio toda essa dívida? A principal suspeita era de que o antigo rei, Robert Baratheon, gastou todo esse dinheiro realizando Torneios da Mão (aqueles onde tem combates com cavalos, com espadas e de arqueiros). O livro mostra que os prêmios somam um valor de 100.000 moedas de ouro.  Robert foi rei durante 15 anos, o que implica em dizer que para somar 6.000.000 em dívida, Robert deveria realizar, ao menos, quatro torneios desses por ano. O problema é que esses torneios são extremamente raros, realizados em casos bastante especiais (que nem acontece quando Ned assume como Mão-do-Rei de Robert), pois implicam em pessoas ao redor de todo o mundo se deslocarem para King’s Landing para participarem do torneio. Tyrion percebe esse buraco nas finanças da Coroa e nos leva ao principal suspeito: a pessoa responsável pelas finanças antes de Tyrion, o Mindinho. Alguma manipulação financeira foi feita por ele, deixando a Coroa em dívida e permitindo que ele roubasse esse dinheiro. A prova disto está nos livros (algo que a série negligencia por completo),  quando Mindinho aumenta de forma gigantesca a sua influência sobre a região do Vale emprestando dinheiro para as diversas casas endividadas daquela região. Esse dinheiro todo só poderia ter vindo da Coroa!

Daenerys e a Baía dos Escravos

Bem longe de Westeros, do outro lado do mundo, um outro conflito econômico e social interessante acontece. Daenerys Targeryan na sua implacável busca por conseguir homens para o seu exército e tomar de volta a Coroa em Westeros, embarca na Baía dos Escravos e decide de uma vez por todas extinguir o trabalho escravo. Entretanto, ao contrário do que ela planejou, sua missão não foi um completo sucesso inicialmente. Um argumento que explica a volta do trabalho escravo foi a ausência de uma autoridade administrativa que regulasse e monitorasse a extinção desse tipo de trabalho nas cidades de Yunkai e Astapor. Daenerys simplesmente passou por essas cidades, deixou sua marca proibindo a escravidão e embarcou rumo à Mereen, onde ficou instalada. Sem nenhum monitoramento, essas cidades voltaram ao trabalho escravo. Ora, imagine civilizações milenares que se instauraram e se estabeleceram sob o uso de trabalho escravo e, de repente, uma pessoa de outra região chega na cidade e proíbe o trabalho escravo. Isso é um choque, certo? Muito dificilmente isso ocorrerá sem conflitos. A nossa história é um pouco diferente da história de Daenerys quando se trata da escravidão. A extinção do trabalho escravo no Brasil foi bem tardia, passando por um processo de maturação extremamente longo. Foi uma mentalidade abolicionista que se desenvolveu durante décadas, tendo início em 1845 quando os ingleses aprovaram uma lei que permitia às embarcações britânicas a confiscarem qualquer navio que transportasse escravos. Depois disso, sucessivas leis de cunho abolicionistas foram sendo aprovadas, como a Lei Eusébio de Queiroz (1850) que proibia embarcações negreiras no Brasil, a Lei do Ventre Livre (1871) que dizia que os filhos de escravos que nascessem a partir daquele ano seriam livres, a criação da Sociedade Brasileira contra a Escravidão (1880), a Lei dos Sexagenários (1885) que determinava que os escravos acima de 60 anos fossem imediatamente libertos e, por fim, a Lei Áurea (1888) que proibia de uma vez por todas o trabalho escravo.

A proibição de uma só vez, associada a ausência de uma autoridade que monitorasse as outras regiões e a falta de um sistema que substituísse esse tipo de trabalho foram fatores decisivos para o insucesso de Daenerys. Ainda, muito semelhantemente à história do nosso país, a proibição do trabalho escravo não foi acompanhada de nenhuma medida que procurasse a inserção dos antigos escravos na sociedade, o que fez com que muitos ex-escravos em Mereen voltassem a trabalhar para os mestres. Embora motivada por ideais dignos, Daenerys foi muito ingênua como gestora e administradora dessa região. Tyrion, atuando como conselheiro de Daenerys, possui mais experiência política e conhecimento econômico, demonstrando sua capacidade ao se reunir com os mestres líderes de Astapor, Yunkai e Mereen. Aplicando um dos princípios básicos da microeconomia, (agentes econômicos respondem a incentivos”), Tyrion procura criar um mecanismo que forneça incentivos suficientes aos mestres para abandonarem o trabalho escravo. Para isso, propõe o fim do trabalho escravo em um período de sete anos (maturar a ideia, que nem na nossa história), compensando qualquer prejuízo que os mestres tivessem no começo ao abandonar tal prática. A princípio o plano parece ter sucedido, tendo em vista que os Filhos da Harpia cessaram seus ataques. Contudo, posteriormente, ficou claro que o mecanismo desenvolvido por Tyrion não foi suficiente para estimular os mestres a abandonarem o trabalho escravo, muito provavelmente por causa de uma visão intertemporal limitada por parte dos mestres. Mas é válida a tentativa de Tyrion, ainda mais por tentar mostrar aos mestres que pode ser lucrativo cooperar com Daenerys, buscando fomentar, justamente, o principal objetivo dos mestres: a riqueza.

Daenerys deixou a Baía dos Escravos sob comando de um de seus representantes, mas não parece ter tomado nenhuma medida decisiva que colaborasse para a inserção dos ex-escravos na sociedade. Será que a Baía dos Dragões (como é denominada agora a Baía dos Escravos após a derrota dos mestres) repetirá a história brasileira? Será que essa região terá uma desigualdade acentuada assim como a nossa? Muito provavelmente sim…

O Inverno e a Crise

A série de Game of Thrones é marcada por sucessivos conflitos que foram determinantes para colocarem o reino na sua atual situação. Como explicitado anteriormente, o inverno é equivalente a uma “recessão” nos ciclos econômicos de Westeros, enquanto o verão seria o momento de “expansão” da economia. Sendo assim, o ideal era que muitas famílias aproveitassem o duradouro verão para estocarem alimentos. Entretanto, as grandes casas estiveram focadas nos conflitos que permearam toda Westeros. Todos recursos que deviam ser destinados para o estoque, permitindo sobreviver ao próximo inverno, que será um dos mais duradouros segundo os Meistres, foi destinado para os conflitos existentes na região. A guerra dos cinco reis foi muito custosa para as grandes casas, deixando muitas em crise, inclusive a Coroa. Ainda, os conflitos existentes dentro da própria King’s Landing acabaram acendendo uma nova chama que encadeará na guerra pelo trono na sétima temporada (muito provavelmente). Mas essa não é a única guerra eminente, tendo em vista que há uma outra grande ameaça para todas as famílias de Westeros: Os White Walkers. Temos então famílias em crise, sem recursos, endividadas, em pé de guerra, os White Walkers e um inverno que será duradouro. Ao que tudo indica, esse poderá ser o inverno mais árduo para a civilização de Westeros. Que os diferentes Deuses existentes em GoT os protejam.

Links de referência

Semana Empreender 2016

Iniciativa da empresa júnior de Economia da Universidade de Brasília, Econsult, a Semana Empreender vem desde 2013 apostando em ideias proeminentes dentro do ambiente universitário. Mais que um fomento à discussão sobre o empreendedorismo, a 4º edição da SE busca proporcionar aos participantes uma experiência que forneça noções práticas e ferramentas suficientes de implementação de ideias criativas em projetos de sucesso.

Com o tema “O que falta para você empreender?”, o evento ocorre entre os dias 30, 31 de agosto e 1º de setembro no auditório da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da UnB. Ao final de palestras, depoimentos e workshops, uma das ideias apresentadas ao público será  consagrada com um projeto de Viabilidade Econômico Financeira e, a partir do pleito da Econsult, seguirá em busca de financiamento. Para mais informações sobre o cronograma do evento e orientação aos participantes consulte o edital.

O PET-Economia UnB compartilha da confiança depositada aos estudantes na busca por um país empreendedor e apoia a Esconsult e todos os projetos de extensão do Departamento.