Periódico

Regime de Metas de Inflação: análise comparativa e evidências empíricas para países emergentes selecionados

Apresentado em 20 de março de 2017 por Matheus Biângulo.

Em meio a um período desastroso da economia brasileira, o Plano Real (1994) introduziu reformas institucionais que lograram de sucesso na estabilização da inflação. Temeroso quanto à volta do “fantasma da inflação”, prontamente o governo estabelece âncoras nominais que se mostraram insustentáveis frente aos ataques especulativos sofridos pelo Real.

Como resultado, na virada do século o Regime de Metas de Inflação (RMI) é adotado como parte de um regime macroeconômico maior: o tripé macroeconômico. Seria o RMI brasileiro eficaz em combater a inflação? Quais são os custos, em termos de crescimento, de operacionalização dessa estratégia de política monetária? O RMI brasileiro deveria ser flexibilizado?

Essas e outras questões são levantadas quando analisamos o RMI brasileiro à luz das experiências de outros países emergentes selecionados.

Slide da apresentação disponível aqui.

Artigo disponível aqui.

Do Pharmacists Buy Bayer? Informed Shoppers and the Brand Premium

Na segunda-feira, dia 27 de outubro, o petiano João Diogo Brites apresentou o artigo Do Pharmacists Buy Bayer? Informed Shoppers and the Brand Premium, que busca analisar correlação entre o conhecimento que os consumidores têm sobre alguns bens que eles consumem e a preferência deles entre as marcas genéricas, tipicamente mais baratas, e as marcas premium, tipicamente mais caras.

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O artigo usa uma base de dados extremamente rica, em conjunto com um questionário para analisar os padrões de consumos de bens homogêneos, como diferentes marcas de aspirina.

O artigo demonstra que consumidores que têm conhecimento sobre as similaridades entre produtos genéricos e produtos premiums, tendem a optar por bens genéricos por serem mais baratos e passarem por processos de produção iguais, diferenciando-se principalmente pela forma de marketing empregada.

Apresentado por: João Diogo Brites

Do Pharmacists Buy Bayer? – João Diogo Brites

International Trade and Factor Mobility

A teoria das vantagens absolutas seguida posteriormente pela teoria das vantagens comparativas de David Ricardo foram o ponto inicial do estudo do comércio internacional.

Como uma alternativa ao modelo ricardiano, estabeleceu-se o modelo de Heckscher-Ohlin, o qual advoga que um país deveria se especializar e exportar aquele bem cujo fator intensivo de produção lhe seria importante.

No artigo apresentado na sexta-feira, dia 10 de outubro, Robert Mundell nos mostra seu pensamento intuitivo perante a integração da mobilidade dos bens com a mobilidade dos fatores de produção no comércio internacional.

Tendo como hipótese dois países: A e B (resto do mundo), que transacionam dois bens e dois fatores de produção, ele simula diversos casos em que a mobilidade da transação de um desses elementos seria restrita. o autor concluiu que, para auferir as vantagens do comércio internacional não seria necessária a livre mobilidade de ambos os mercados (bens e fatores), apenas de um ou outro.

O trabalho seminal marcou a comunidade acadêmica por ser o primeiro a demonstrar intuitivamente a relação entre os mercados de bens e fatores nas transações internacionais.

Apresentado por: Rebeca Nepomuceno

International Trade and Factor Mobility – Rebeca Nepomuceno

Processo Seletivo – “Desigualdade e crescimento: Uma revisão da literatura”

Em primeiro lugar, temos um aviso importante a todos os candidatos para o processo seletivo do PET-Economia: as inscrições estão abertas até segunda-feira, dia 13 de outubro, pela manhã, sendo que a inscrição será aberta a todos os semestres. (Ressalva: sujeito à avaliação positiva do Comitê Local de Acompanhamento (CLA).)

Como parte das atividades do processo seletivo, na próxima segunda-feira, dia 13 de outubro, ao meio dia, o PET-Economia organizará uma reunião de periódico especial, na qual apresentaremos o artigo Desigualdade e crescimento: Uma revisão da literatura. Conforme consta no edital de seleção, a primeira etapa do processo corresponde a uma redação que terá como base o trabalho a ser apresentado.

A reunião será aberta a toda a comunidade acadêmica. Ressaltamos, ainda, que a reunião será apresentada pelo próprio autor do texto, Marcos Mendes, no Auditório Azul da FACE. Após a apresentação, tiraremos dúvidas e prosseguiremos para a redação.

A leitura do artigo é de caráter obrigatório para todos os candidatos. Embora a presença da reunião seja facultativa, é fortemente recomendável que todos estejam presentes. Segue, em anexo, o link para o artigo base para a reunião. Ressaltamos que a reunião acontecerá às 12 horas enquanto a prova de conhecimento ocorrerá às 15:00 horas. Desejamos a todos um bom processo seletivo.

Desigualdade e crescimento: Uma revisão da literatura – Marcos Mendes

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The Microfinance Promise

Nesta segunda-feira, dia 22 de setembro, foi apresentado o artigo The Microfinance Promise da autoria de Jonathan Morduch. O artigo, que tem mais de 2070 citações, é de extrema relevância no campo de estudos voltado às microfinanças.

Muitos acreditam que a prestação de assistência governamental a indivíduos de baixa renda cria dependência e “desincentivos” que fazem a situação de tais indivíduos piorar, não melhorar. No entanto, existe a esperança de que bastante pobreza possa ser “aliviada” — e que estruturas econômicas e sociais possam ser transformadas fundamentalmente — através da provisão de serviços financeiros a domicílios de baixa renda. Destarte, as instituições de microfinanças (IMFs) compartilham o compromisso de servir clientes que foram excluídos do setor bancário formal.

Dado tal contexto, foram apresentados dados da Organização das Nações Unidas (ONU) referentes à pobreza mundial. Depois, foram apresentadas as várias visões (direita versus esquerda) dentro das microfinanças. Em seguida, foram apresentados alguns programas antigos e atuais, como por exemplo o Grameen Bank, o BancoSol e os Village Banks da Foundation for International Community Assistance (FINCA). Os dados referentes ao número de clientes bem como aos empréstimos, foram atualizados pela apresentadora.

Ademais, foram discutidos alguns mecanismos microfinanceiros, tal como seleção entre agentes, monitoramento entre agentes, incentivos dinâmicos e cronogramas de pagamentos regulares. Em seguida, foram abordados os retornos e impactos econômicos e sociais bem como poupanças.

Ao final da apresentação, foram levantadas algumas conclusões apresentadas no próprio artigo, tais como:

  • O movimento das microfinanças demonstrou uma necessidade de pensar de maneira criativa e inovadora em termos de mecanismos institucionais
  • Se o movimento não “quiser” abandonar a “promessa” do alívio da pobreza substancial através das finanças, se deparará com escolhas difíceis (subsídios versus sustentabilidade)
  • Neste contexto, necessita-se uma “segunda onda” de inovação e definição de “best-practices

Apresentado por: Carolina Vale Rosa

The Microfinance Promise – Carolina Vale Rosa

Are Choice Experiments Incentive Compatible? A Test with Quality Differentiated Beef Steaks

Nessa segunda feira, dia 15 de setembro, foi apresentado o artigo Are Choice Experiments Incentive Compatible? A Test with Quality Differentiated Beef Steaks, trazendo uma análise das escolhas de consumidores para diferentes tipos de beef steaks. Este estudo visa apresentar um teste para Choice Experiments (CE), onde são comparados dois grupos de controle, nos quais os respondentes dos questionários estão sujeitos a cenários diferentes de escolhas e preços entre diversos tipos de carne. Há dois tipos de grupo de controle: um para situações de escolha hipotética e um para situações de escolha não hipotética, estabelecendo-se um parâmetro para determinar um possível viés no momento da escolha.

No inicio da apresentação, foi feita uma breve introdução ao método de CE, além dos modelos econométricos empregados para a comprovação de diversas hipóteses apresentadas no artigo. Em seguida, foi retomada a apresentação do artigo, com o foco nos diferentes produtos estabelecidos com diferentes características específicas. O artigo conclui com uma comprovação de um viés nas escolhas hipotéticas, nas quais as pessoas estariam dispostas a pagar mais (devido ao fato que a situação é hipotética).

Apresentado por: Iúri Honda Ferreira

Are Choice Experiments Incentive Compatible? A Test with Quality Differentiated Beef Steaks – Iúri Honda Ferreira

On high interest rates in Brazil

Na segunda-feira, dia 01 de setembro, foi apresentado o artigo On high interest rates in Brazil, do autor Francisco Lopes, publicado na Revista de Economia Política. A intenção da apresentação era expor, testar e criticar as explicações do autor para as altas taxas de juros no Brasil.

O autor parte de um simples modelo keynesiano de duas equações, onde equilibra o investimento com a poupança (privada, pública e externa) e a poupança externa com a necessidade de financiamento. Assim, os equilíbrios na taxa de investimento e de câmbio se dão na interseção destas duas equações.

Em seguida, expõe as suas explicações para a alta taxa de juros e faz sucessivos exercícios de estática comparativa, de forma a mostrar como a alteração de cada uma das variáveis importantes afeta o modelo. Ele indica que as principais causas são: baixa poupança privada, altos déficits públicos, herança inflacionária, histórico de moratória na economia, incerteza jurídica e intervenção governamental no mercado cambial e creditício.

Depois de exposto o artigo, foi feito um teste econométrico da capacidade explicativa destas variáveis para o Brasil. Foi construído um painel de 6 países – Brasil, Turquia, Austrália, Colômbia, Chile e México – e estimou-se uma equação de regressão da taxa de juros (que pode ser consultada na apresentação abaixo), derivada da regra de Taylor seguindo Ferreira e Colbano (2012). A equação englobou variáveis para testar todas as sugestões de causas propostas por Francisco Lopes.

Objetivou-se desenvolver um Teste de Chow modificado para o painel. Gostaria de se examinar se existia alguma divergência estrutural na determinação da taxa de juros entre o Brasil e os demais países. Para tal, o Teste de Chow foi modificado, de forma a incluir dummies para os dados da economia brasileira, ao invés de dummies temporais.

A regressão apresentou consistência, tendo várias variáveis significativas, mesmo testadas a uma rigorosidade de 99%, o poder explicativo da equação foi satisfatoriamente alto (R2 próximo de 0,6) e os sinais das variáveis estavam condizentes com a intuição teórica trazidos pela teoria econômica. Apesar da estimação da regressão da taxa de juros não ser o foco da análise, os bons resultados conferem certa robustez ao painel construído, mesmo que a quantidade de observações não fosse tão grande.

Em seguida, foi feito o Teste de Chow com dummies para as variáveis referentes ao Brasil. Obteve-se um valor de F bastante alto, de forma que a hipótese de que não existe diferença na determinação da taxa de juros no Brasil e nos demais países pôde ser rejeitada em mais de 99% dos casos. Obteve-se, portanto, evidências bastante fortes de que existem fatores importantes na determinação da taxa de juros que não estão sendo captados pela equação de regressão proposta, que segue a linha das explicações do artigo.

Dado tal resultado empírico, voltou-se para a literatura teórica para buscar a explicação dos fatores não captados pelas variáveis apresentadas. Deve-se ao trabalho de Blanchard e Summers (1984) o reconhecimento da possibilidade de múltiplos equilíbrios na taxa de juros e, mais ainda, a possibilidade de equilíbrios Pareto inferiores. Os autores mostram essa possibilidade para o caso de países que declaram moratória após a exigência de altas taxas de juros, determinadas por financiadores externos.

Voltando-se para a literatura nacional, podemos encontrar trabalhos que sugerem que essa possibilidade de múltiplos equilíbrios também se aplica ao caso de países com juros muito altos, como Bresser e Nakano (2002), por exemplo. Estes autores apontam que a mesma possibilidade se apresenta para países com juros muito altos que ficam presos a este patamar, dada a grande despesa financeira do governo federal.

A partir desta análise, propõe-se um novo choque na taxa de juros, de forma a derrubá-la para níveis mais baixos. Analisou-se a tentativa mal sucedida do começo do governo Dilma. Segundo análise minuciosa da experiência fracassada, aponta-se que as receitas não previstas vindas do não pagamento da taxa de juros foram incorporadas ao orçamento do governo federal e, em seguida, investidas.

Retornando ao modelo IS-BP inicial, é fácil notar que essa ação causa um desequilíbrio na economia e traz pressões inflacionárias que, no médio prazo, tornam o choque insustentável. Para realizá-lo de forma adequada, o não pagamento dos juros da dívida deve transformar-se integral ou parcialmente em poupança pública, de forma a acomodar a curva IS ao novo equilíbrio, desfazendo as pressão inflacionárias.

Se as variáveis se comportarem de acordo com o que foi indicado na apresentação, essa ação poderia levar a taxa de juros para um patamar mais baixo, sem maiores consequências para outras variáveis importantes como a taxa de desemprego ou a taxa de inflação.

Apresentado por: Carlos Alberto Belchior

On the High Interest Rates in Brazil – Carlos Alberto Belchior